Cotidiano

Assessora de Trump inventa massacre para justificar bloqueio a refugiados

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WASHINGTON ? A assessora do presidente Donald Trump, Kellyanne Conway, citou um ataque de que nunca ninguém ouviu falar para justificar o decreto do republicano que bloqueou a entrada de refugiados e de cidadãos de sete países de maioria muçulmana. Ela disse queo “massacre de Bowling Green” nunca foi mencionado pela imprensa, e por isso sua ocorrência não é conhecida. Mas a verdade é que ele nunca aconteceu.

Segundo Kellyanne, a maioria dos americanos não sabe que o ex-preisdente dos EUA Barack Obama também suspendeu por seis meses a entrada de refugiados no país após dois iraquianos radicalizados terem preparado o “massacre de Bowling Green”.

? A maioria das pessoas não sabe disto porque não foi noticiado ? disse a assessora em uma entrevista à rede “MSNBC”.

No entanto, não houve massacre em Bowling Green, uma pequena cidade de pouco mais de 60 mil habitantes no Kentucky. O que aconteceu, em 2011, foi um atraso no processamento dos pedidos de asilo por refugiados do Iraque após dois iraquianos que viviam na cidade terem sido detidos. Eles tentaram enviar dinheiro e armas para a Al-Qaeda no Iraque. Hoje, eles cumprem a pena de prisão perpétua por terrorismo. Mas, segundo o Departamento de Justiça dos EUA, nunca foram acusados de planejar um ataque no território americano.

A ordem executiva de Trump proíbe temporariamente a entrada de todos os refugiados ? para os refugiados sírios, a proibição é por tempo indefinido ?, além de barrar cidadãos de Irã, Iraque, Síria, Líbia, Sudão, Somália e Iêmen. O decreto é um reflexo da sua retórica altamente anti-imigração e provocou uma onda de protestos em várias cidades dos Estados Unidos.

Na quinta-feira, Trump disse que a medida aumenta a tolerância e a liberdade religiosa nos Estados Unidos. No entanto, isto é exatamente o contrário do que diz a comunidade internacional. Diversos líderes mundiais emitiram críticas à medida, que foi chamada de discriminatória e exclusiva. O chefe da ONU, António Guterres, pediu que o decreto seja levantado, enquanto vários altos funcionários da organização condenaram explicitamente a medida.