As cooperativas fortes e consolidadas

As cooperativas da região oeste do Paraná estão consolidadas e caminham em um sentido pleno de estabilidade. Mesmo com um ano de crise, em 2017, elas mantiveram crescimento, empregos em alta e a geração de renda. A partir desta semana você acompanha uma série de reportagens sobre o desempenho de cada uma delas em 2017 e os planos para o futuro. A primeira é a Frimesa, com sede em Marechal Cândido Rondon.

O ano de 2017 foi comemorativo dos 40 anos da Frimesa, mas o marco histórico foi o início das obras da construção de uma nova indústria de carnes, projeto que deve triplicar a produção de suínos na cadeia produtiva. “Iniciamos o ano inaugurando um novo centro administrativo e as ampliações das nossas três principais indústrias. Fechamos o ano com o início das obras da nova planta em Assis Chateaubriand e a operação de mais um frigorífico, em Marechal Cândido Rondon”, comenta o presidente Valter Vanzella.

Mas ele revela que fechar o ano passado com resultado positivo não foi tarefa fácil: “Foram grandes percalços. Retração no consumo, entraves na economia e a operação Carne Fraca afetaram o desempenho do segmento, principalmente nos preços médios de venda, que ficaram abaixo da expectativa”.

Para o diretor, mais uma vez, a soma do esforço coletivo entre as cooperativas Copagril, Lar, C.Vale, Copacol e Primato e seus produtores, a Central Frimesa e seus 7.240 colaboradores, que trabalharam arduamente, permitiram à empresa crescer e se desenvolver.

A Frimesa beneficia hoje, no seu sistema, mais de 22 mil pessoas. “Agimos coletivamente para sustentar a cadeia e, consequentemente, quem faz parte dela”, destaca Vanzella.

A Frimesa contabilizou, em 2017, uma receita nas vendas de R$ 2,831 bilhões, um pouco abaixo da expectativa de R$ 3 bilhões, mas com um crescimento de dois dígitos: 10,35%. Já as sobras totalizaram R$ 65,05 milhões.

E, mesmo com investimentos de R$ 82,5 milhões, cresceu 7% no patrimônio líquido. No volume de produção, as cooperativas também ampliaram a entrega de matéria-prima em 4,6%. As fábricas da Frimesa produziram ano passado 365.674 toneladas de alimentos, contra 349.225 no ano anterior. No segmento de carne suína, foram 2.115.567 animais industrializados, um aumento de 11,4%. A área de lácteos apresentou uma recepção média diária de 619.530 litros, uma queda de 4,89%.

Mercado externo

Em 2017 a Frimesa cresceu na receita, mas acabou perdendo margem, afirma o diretor executivo, Elias José Zydek. “As vendas do mercado doméstico ficaram mais apertadas. A solução foi direcionar parte do foco para o mercado externo, que teve uma boa receptividade em países como Hong Kong e Cingapura. As exportações passaram de 10,45% para 11,38% do total do faturamento”.

A crise internacional e os preços das commodities prejudicaram o desempenho do agronegócio brasileiro ano passado. Em suínos, o valor do quilo da carne pago ao produtor começou o ano acima do normal, mas estabilizou no decorrer do ano, sem contar que, no primeiro trimestre, o setor enfrentou uma das piores crises da história quando a Operação Carne Fraca colocou em xeque a pecuária brasileira.

No leite, o cenário positivo do primeiro semestre não se manteve no período seguinte. A baixa demanda, aliada com o crescimento na produção – após dois anos de queda, fizeram com que o mercado entrasse em retração. “Esses eventos prejudicaram todas as proteínas animais, aliada com a queda no poder aquisitivo da população”, complementa Zydek.

Cautela no consumo

O consumidor teve um comportamento cauteloso em 2017, sem confiança e renda suficientes para gastar, de forma a absorver a maior oferta no mercado alimentício. O foco em produtos de qualidade, um portfólio diversificado com 445 itens e presença no varejo também contribuiu, diante do cenário desafiador.

A empresa conta hoje com nove filiais de vendas e 12 centros de distribuição que se relacionam com mais de 34 mil clientes ativos.

A marca mais lembrada

As boas notícias do ano passado vêm também de dois importantes reconhecimentos. O primeiro vem da pesquisa Ocepar, realizada pela Datacenso, na qual os consumidores elegeram a Frimesa como a marca mais lembrada e 96% afirmam estar satisfeitas com os produtos.

O segundo foi o título de empresa mais Inovadora do Paraná, de acordo com a Revista Amanhã, em parceria com os institutos americanos IXL-Center e GIMI. Em 2017 a Frimesa realizou 168 ações de inovação, tanto em produtos quanto nas áreas de gestão, marketing, processos e serviços.

Carnes em números

A Frimesa sustentou o custo de suíno vivo, em média, R$ 0,25 a mais que o mercado, por quilo, durante o ano passado. Para a supervisora de suínos, Fabiane Bachega, “o suinocultor independente teve um ano mais difícil, em que precisou correr atrás dos prejuízos. Para os integrados das cooperativas a política de repasse de preços permitiu a manutenção dos produtores”.

Na prática, o custo médio do suíno chegou a R$ 3,53, sendo 2,95% abaixo do registrado em 2016, porém, acima do praticado no mercado regional.

As propriedades integradas terminaram o ano com resultado positivo. O perfil de agregação de valor da Frimesa pode ser comprovado nos números: quase 55% do volume do suíno recebido é transformado em industrializados: presuntos, linguiças e mortadelas, entre outros embutidos.

Cortes responderam por 21,46% enquanto a exportação e subprodutos 16,11% e 8,23%. Em números a produção em carnes correspondeu a 241.397 de toneladas, um aumento de 4,33%, se comparado as 231.374 toneladas de 2016.

Em 2017, os suínos tiveram origem exclusivamente dos 969 produtores integrados às cooperativas filiadas. Foram 2.115.567 animais recebidos, 11,4% superior a 2016, ou seja, cerca de 220 mil suínos a mais, se comparado com o ano anterior. “A previsão era obter um abate ainda maior, mas o atraso no início da operação do frigorífico de Marechal Cândido Rondon prejudicou o planejamento”, explica o gerente industrial de carnes, Vitor Frosi.

Lácteos

O leite começou o ano bem, mas o crescimento na produção e a baixa demanda mantiveram os preços em baixa no ano passado e o segmento passou por oscilações no mercado. O ano começou com os preços em alta, reflexo do cenário instaurado em 2016, de baixa oferta e alto custo de produção. O clima mais favorável influenciou uma queda nos custos de produção, com o farelo de soja e o milho mais baratos, principais componentes da dieta animal que resultou num aumento da produção e a consequente queda na comercialização devido ao incremento na oferta.

De acordo com o gerente de Lácteos da Frimesa, Erivelto Costa, a oferta de leites aliada a uma queda nas vendas afetou a expectativa da Frimesa para a atividade. “Os custos da matéria-prima ficaram cerca de 9% mais baixos se comparados com 2017, devido ao aumento na oferta e a queda no consumo, que acabaram fazendo o mercado perder sua sustentação”.

Os 2.859 produtores integrados entregaram nas plataformas da Frimesa uma média de 619.530 litros de leite por dia, sendo 226.128.584 litros no ano. O volume permitiu uma produção de 124.277 toneladas, 5,45% além do produzido em 2016, de 117.851 toneladas. O foco é nos produtos industrializados de valor agregado – doces, manteigas, leite condensado, requeijão, iogurtes, leites fermentados, iogurtes gregos, sobremesas. “Mesmo diante das dificuldades, buscamos nos afastar das commodities, cada vez mais e partir para o mercado de agregação de valor”, complementa Erivelto, referindo-se ao mix de 153 itens do portfólio.

No campo social, emprego, renda e geração de tributos são os grandes ganhos sociais com a atividade da Frimesa. Em2017 a empresa fechou com 7.240 colaboradores, sendo 485 novas vagas se comparadas aos 6.755 postos do ano passado. No campo de investimento do quadro funcional, R$ 273,1 milhões foram destinados com destaque para os benefícios como auxílio refeição, saúde, cultura e lazer, além dos salários pagos. Para atender os colaboradores, a empresa disponibiliza o serviço de medicina no trabalho que conta com ambulatórios próprios e profissionais especializados nas áreas de ergonomia, fisioterapia,medicina no trabalho, ginecologia,



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