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Após suspensão de laboratório, Rio-2016 diz que Wada é fracassada

A suspensão do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), anunciada nesta sexta-feira pela Agência Mundial Antidoping (Wada), abriu uma forte crise entre o comitê organizador Rio-2016 e a agência. Logo que a decisão foi anunciada pela entidade, à tarde, o Rio-2016 informou apenas que aguardava o desenrolar do caso e mantinha o “compromisso com Jogos limpos e de tolerância zero com doping”. À noite, porém, o advogado do comitê subiu o tom da defesa, fazendo pesadas críticas e acusações à Wada.

Sergio Mazzillo, que também é advogado do Comitê Olímpico do Brasil (COB), afirmou que a suspensão foi tomada porque os dirigentes da Wada ?querem aparecer? e que a entidade ?tenta esconder seu fracasso?, além de outros ataques.

“O descredenciamento do laboratório antidoping do Brasil não se justifica de forma alguma. É uma instituição muito bem equipada, principalmente o seu corpo técnico, composto de respeitados profissionais. A meu ver, melhor faria a Wada (Agência Mundial Antidoping) se respondesse às cobranças do Senado dos EUA, que a questiona severamente, cobrando melhor uso do dinheiro do contribuinte americano. O mesmo deveria fazer o Governo brasileiro?, escreveu, em nota, o advogado do Rio-2016.

Mazzillo defendeu ainda que a Wada seja processada:

“Foi uma decisão de quem procura as luzes, para escamotear o seu enorme fracasso. Aliás, está mais do que na hora de responder à altura, em Juízo e fora dele, às constantes críticas, e decisões estapafúrdias, de dirigentes vaidosos e com prazo de validade vencido, que não conhecem o Brasil, o Rio, e o que foi feito para realização das Olimpíadas, por gente de bem”.

Se a suspensão for mantida até os Jogos, caberá ao comitê Rio-2016 arcar com os custos de envio das mais de 5 mil amostras para realização dos exames fora do país, provavelmente em algum laboratório credenciado da Europa.

Antes chamado de Ladetec, o atual LBCD perdeu a chancela da Wada em agosto de 2013, por causa de sucessivos erros em exames, que afetaram atletas como Deco, Natália (do vôlei de quadra) e Pedro Solberg, do vôlei de praia. Depois da construção do prédio novo e da compra de equipamentos, num investimento total de R$ 188 milhões do governo federal, o LBCD recuperou a creditação em maio do ano passado.