Cotidiano

Após diálogo, oposição adia juízo contra Maduro, dizem deputados

VENEZUELA-POLITICS_-GHN2VSQG6.1.jpgCARACAS – A Assembleia Nacional da Venezuela decidiu postergar na terça-feira seu processo de julgamento político, que visa a destituir o presidente Nicolás Maduro, disseram deputados citados por agências de notícias. A medida veio horas após o governo fazer um gesto de boa vontade após o início de diálogos políticos no domingo, libertando cinco opositores presos na noite de segunda-feira. Maduro

“Hoje não se tratará o tema do juízo a Maduro, a ordem do dia foi mudada”, disse uma fonte do Legislativo, sob anonimato.

A oposição pautara para a terça-feira a convocação de Maduro para prestar esclarecimentos diante da plenária da Assembleia. Deputados haviam avaliado que declarariam abandono do cargo pelo presidente, o que teria de ser ratificado pela Justiça para que ele fosse derrubado..

? Estão se acalmando, muito bem. Felicito a oposição ? disse Maduro na estreia de seu programa de rádio, “A hora da salsa”.

Os cinco opositores presos foram libertados na noite desta segunda-feira, um dia após o início do diálogo entre o governo Maduro e seus adversários, anunciaram os líderes da oposição venezuelana. Carlos Ocariz, prefeito da cidade de Sucre, informou em seu perfil no Twitter que Carlos Melo, Andrés Moreno e Marco Trejo foram soltos, e publicou fotos dos três com a mensagem: “Estamos avançando”.

Em seguida, o secretário-executivo da coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, divulgou os nomes de Coromoto Rodriguez e Andrés Leon.

No domingo, delegados do governo e da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) acertaram uma agenda para o diálogo diante da grave crise política que abala o país, sob a supervisão do Vaticano e da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Agentes do serviço de inteligência prenderam Melo no dia 31 de agosto passado, sob a acusação de posse de material explosivo. Moreno e Trejo foram detidos em setembro, após produzirem um vídeo para o partido opositor Primeiro Justiça pedindo reflexão aos militares diante da crise, considerado pelo governo como uma incitação à revolta.

Ocariz esteve entre os representantes da oposição presentes na reunião de domingo.

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No início das conversações, Jesús Torrealba havia solicitado ao governo “gestos concretos” da disposição do diálogo.

? Sem gestos concretos de libertação de presos políticos, o diálogo não pode prosseguir ? disse Torrealba.

Segundo a oposição, na Venezuela há mais de 100 presos políticos, entre eles alguns de alto perfil como o líder Leopoldo López e o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma.