Cascavel – Os dados preliminares do Censo Agropecuário divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que o oeste do Paraná possui 42.511 propriedades rurais em 1,744 milhão de hectares de área total, incluindo as agricultáveis e não agricultáveis, como as de preservação permanente e reserva legal, por exemplo. Isso significa que 76% do território do oeste ainda é considerado meio rural, apesar do avanço e do crescimento das cidades.

O último censo realizado no campo foi no ano de 2006, mas o IBGE não havia divulgado, na época, o número de propriedades e de áreas por município, apenas por estados, grandes regiões e para o Brasil.

O município com maior número de propriedades no oeste é o de Cascavel, com 3.221 áreas rurais. Cascavel também é o líder em área, com 176.460 hectares. Toledo é o segundo em número de propriedades, com 2.609, mas o terceiro em área rural, com 98.047 hectares. Marechal Cândido Rondon vem na sequência, com 1.934 propriedades em 52.744 hectares.

Entre os aspectos que chamam a atenção na lista está a cidade de Guaraniaçu, a quarta em número de propriedades rurais do oeste, com 1.658, e a segunda em área rural, com 114.856 hectares.

Na outra ponta da tabela está o município de Iracema do Oeste, com apenas 194 propriedades rurais e área de 6.911 hectares, seguido por Anahy, com 208 propriedades e 8.943 hectares, e Iguatu, com 265 propriedades e 8.976 hectares.

Não é possível identificar o número de pessoas que vivem no campo no oeste, pois esse levantamento não foi feito no censo agropecuário do ano passado. Segundo o IBGE, esse levantamento será feito na próxima contagem geral de habitantes, em 2020.

O IBGE não informou o período que gestores municipais terão caso queiram recorrer dos dados divulgados ontem. Entre outros aspectos, eles servirão para definir políticas públicas para o meio rural, como recursos para financiamentos, por exemplo.

Os frangos no Paraná e o retrato brasileiro

Dentre os pontos de destaque do Censo está a produção agropecuária do Paraná. O Estado aparece como líder na produção de galináceos (galinhas, galos, frangas, frangos e pintos) com um plantel de 347,7 milhões de cabeças do total nacional de 1,453 bilhão de cabeças. Ou seja, quase 30% das aves comercializadas no Brasil e fora do País saem de granjas instaladas no Paraná.

No cenário nacional, o número de estabelecimentos agropecuários no Brasil caiu 2% no ano passado em relação a 2006, passando de 5,17 milhões para 5,07 milhões. Já a área total teve uma expansão de 5%, passando de 333,6 milhões de hectares para 350,2 milhões de hectares. Esse aumento corresponde a uma área de 16,5 milhões de hectares, quase o tamanho do estado do Acre.

O Censo Agro 2017, com informações mais detalhadas, será divulgado somente em julho de 2019.

O coordenador técnico do censo, Antonio Carlos Florido, ressaltou que a entrada desses 16,5 milhões de hectares de áreas novas no processo produtivo, ou que estavam paralisadas e voltaram a produzir, foi identificada em grande parte no Pará e no Mato Grosso.

De todas as regiões brasileiras, somente o Nordeste apresentou redução do número e da área dos estabelecimentos agropecuários, com perda de 131.565 estabelecimentos e de 9.901.808 hectares. Em contrapartida, o Rio Grande do Sul, apesar de ter queda de 151.971 estabelecimentos, viu a área crescer em 1.082.517 hectares.

Pessoal ocupado

O pessoal ocupado também sofreu redução em comparação ao censo anterior, passando de 16,56 milhões em 31 de dezembro de 2006 para 15 milhões, em 30 de setembro de 2017 no cenário nacional. A queda em 11 anos foi de 1,5 milhão de pessoas.

Em contrapartida, cresceu 49,7% a compra de tratores, atingindo 1,22 milhão de unidades em 30 de setembro de 2017, contra 820,7 mil no censo de 2006. Segundo o IBGE, 733,9 mil estabelecimentos usavam tratores no ano passado. “Isso já vem sendo mostrado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Aumenta trator, diminui pessoas”, observou o coordenador Antonio Carlos Florido.

A média de ocupados por estabelecimento também experimentou retração, passando de 3,2 pessoas para 3 pessoas no novo censo. O total de produtores e trabalhadores com laços de parentesco com eles também se reduziu de 12.801.179 pessoas, em 2006 para 10.958.787, em 2017. A queda percentual no período foi de 77% para 73%.

Utilização da terra

A área de pastagens naturais caiu 18,7% de 2006 para 2017, enquanto as pastagens plantadas subiram 9,1%. O documento mostra que as pastagens naturais vêm caindo direto desde 1975. “A pastagem que tem menos produtividade vem sendo substituída por pastagem plantada, que tem mais produtividade. Você consegue ter mais cabeça de animais por hectare de área de pastagem. Só que uma não substitui a outra no mesmo lugar. O gado, na realidade, está sendo movido para outras áreas”, informou Antonio Carlos Florido.

A pesquisa do IBGE revela aumento de estabelecimentos em terras próprias (de 76,2% para 82,26%), de 2006 a 2017. Em contrapartida, a participação desses estabelecimentos na área total diminuiu de 90,5% para 85,4%.

O total de estabelecimentos com terras arrendadas caiu de 6,5%, em 2006, para 6,3%, em 2017. Os estabelecimentos entre 100 e mil hectares tiveram redução na participação na área total de 33,8% para 32%, enquanto os estabelecimentos com mil hectares ou mais ampliaram a participação na área total de 45% para 47,5% no período pesquisado.

Em 2017, 502,4 mil estabelecimentos informaram usar algum tipo de irrigação. A área irrigada total no país foi de 6,9 milhões de hectares. O aumento em ambos os casos foi de 52% entre os dois censos. O documento mostra que 1,68 milhões de produtores utilizaram agrotóxicos no ano passado, um aumento de 21,2% em comparação a 2006.