Cotidiano

Delator da Odebrecht relata R$ 21 milhões a José Serra via caixa 2

Em delação premiada, o ex-executivo da Odebrecht Pedro Novis afirmou que aproximadamente R$ 21 milhões foram repassados ao senador José Serra (PSDB-SP) por meio de caixa dois. Os pagamentos teriam sido feitos para as campanhas de 2002, 2004 e 2006.

Novis é um dos ex-dirigentes da empreiteira que fecharam acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato. As delações foram homologadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta semana, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, autorizou a abertura de inquérito sobre Serra. Ele é suspeito de receber doações ilegais da Odebrecht para suas campanhas em troca de facilitar contratos da empresa no estado de São Paulo.

Em 2002, quando Serra perdeu a disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva, Novis afirma que o valor repassado ao então candidato tucano foi de até R$ 15 milhões. “Foram entregues recursos de caixa 2 às pessoas indicadas por ele”, disse, afirmando não se lembrar de detalhes desse pagamento.

Em 2004, também sem declarar à Justiça Eleitoral, teriam sido pagos R$ 2 milhões à companha de Serra para a prefeitura de São Paulo.

Já em 2006, na campanha para o governo do estado de São Paulo, teria sido doado € 1,6 milhão (equivalente a R$ 4,6 milhões). Os pagamentos teriam sido feitos durante a campanha eleitoral e também em 2007, para cobrir dívidas de campanha.

“Os pagamentos foram realizados entre junho e dezembro de 2006 e entre julho e outubro de 2007, por meio de depósitos em contas correntes bancárias no exterior”, disse.

O senador José Serra afirmou, por meio de nota, que não cometeu nenhuma irregularidade e que suas campanhas foram conduzidas pelo partido na forma da lei. Segundo ele, a abertura do inquérito pelo STF servirá como oportunidade de demonstrar essas afirmações e a lisura de sua conduta.